Em fase de acabamento, hotel universitário será inaugurado em breve na Rural — por Luísa Martinelli
Quem estuda ou trabalha na Rural já ouviu dizer, em algum momento, que em breve a universidade terá um hotel-escola de ponta.
De fato, o hotel-escola existe e já foi construído (pelo menos as edificações). Mas, desde sua idealização, em 2009, tendo à frente a professora do curso e ex-coordenadora, Maria Lúcia Martins, até agora não foram poucos os empecilhos para fomentar um planejamento, executar, finalizar e entregar a obra concluída, localizada entre o IT (Instituto de Tecnologia) e o IG (Instituto de Geografia).
“Ele foi construído dentro do prazo, porém teve que se estender em função de uma forte chuva ocorrida em 2014. Além disso, foram realizadas obras que não estavam previstas no planejamento, como a fundação. Houve, então, uma nova interrupção para a licitação e compra do material. Por isso demorou um pouco mais”, explica a docente.
De tudo o que o hotel precisa para começar a atender futuros hóspedes ainda falta a compra do mobiliário, objetos de decoração e roupas de cama, mesa e banho, para as unidades habitacionais (UHs ou quartos) e, para o setor administrativo, falta também mobiliário e outros como computadores e acessórios. Para a área de alimentos e bebidas faltam equipamentos e utensílios para a cozinha, o restaurante e bar.
Há também a necessidade de serviços de instalação das câmaras frigoríficas e do sistema de exaustão. Uma solicitação de requisição de materiais já foi feita para o setor responsável (DMSA) da UFRRJ. No entanto, por conta do cenário caótico que as universidades enfrentarão em 2017 (corte de 45% da receita pelo menos) ainda não se tem a certeza se haverá recurso para essa aquisição.
Se as expectativas atenderem ao planejamento provisório, apenas o primeiro bloco de apartamentos (17 UHs) e os serviços de café da manhã e room service entrarão em funcionamento a partir da inauguração, prevista para o segundo semestre de 2017. Maria Lúcia explica que alguns locais precisam também ser restaurados por conta de rachaduras e fendas que surgiram em diversos espaços. Há outras demandas ainda como, por exemplo, troca de portas que já estão em condições precárias, por conta do contato direto com as chuvas. São pequenos reparos que demandam tempo e que prolongam a data para o hotel entrar em funcionamento. Esses reparos, segundo a docente, estão sendo feitos pela empresa responsável pela obra.
Em 2011, ocorreu a aprovação da planta, mas a obra iniciou mesmo no primeiro semestre de 2012. A finalização dos prédios do complexo foi em agosto de 2015. Mas, para inaugurar com toda a capacidade, é preciso que a parte elétrica esteja a todo vapor. Como há muita queda de luz em Seropédica, uma estação de energia está sendo construída ao lado do setor administração do hotel. As obras dessa estação começaram em julho desse ano e o prazo de entrega é em março de 2017.
A ideia é que o hotel possa abrigar em média 100 hóspedes, distribuídos em 3 blocos com 17 apartamentos no 1º bloco, o 2º e o 3º com 16 apartamentos. Quando entrar em funcionamento somente será oferecido o café da manhã e pequenas refeições. Isso porque faltam recursos para comprar os materiais permanentes e de consumo do hotel-escola para o complexo cozinha, o restaurante e o bar funcionar com todos os serviços, bem como para fazer a instalação do sistema de exaustão na cozinha quente e instalação das câmaras frigoríficas. O curso, no entanto, já possui alguns equipamentos como geladeiras, fogões, forno combinado, pass through, máquina de lavar louçaria e outros comprados para os laboratórios do curso que serão utilizados no hotel temporariamente até a finalização da obra dos laboratórios do curso no Pavilhão de aulas práticas (PAP).
Haverá no hotel, segundo Maria Lúcia, uma recepção operacionalizada por alunos de hotelaria 24 horas por dia. Também haverá o serviço de governança (responsável por manter todas as áreas do setor de hospedagem em perfeito estado,) além de room service (serviço de alimentos e bebidas no quarto), oferecido pelos próprios alunos. Haverá também a participação de alunos estagiários de outros cursos como Turismo, Economia, Ciências Contábeis e técnico em Hospedagem do CTUR e outros que possuírem aderência a esse tipo de segmento.
Além da hospedagem convencional, o hotel contará com setores voltados para práticas laboratoriais do curso e projetos de extensão e pesquisa. Um deles é o complexo cozinha, contendo um setor para cocção de alimentos e outros setores que fazem parte da cozinha fria, como setores de pré-preparo, além de câmaras de refrigeração e congelamento de alimentos perecíveis, previsto em legislação da ANVISA. O complexo cozinha também possuirá um almoxarifado, setor para estocagem de alimentos semi-perecíveis e outro setor para armazenar as bebidas.
Todos esses espaços, além de serem voltados para a excelência do serviço de alimentos e bebidas e hospedagem, funcionarão como práxis fundamental no aprendizado dos alunos da graduação. “O aluno terá a oportunidade de conhecer todos os departamentos de um hotel antes mesmo de começar o estágio externo, adquirindo ainda mais experiência”, explicou, com entusiasmo, a professora do curso de Hotelaria, Stella Sousa, uma das coordenadoras também à frente do projeto.
O hotel-escola, quando estiver em pleno funcionamento, deve servir de base para o treinamento profissional não só do curso de hotelaria, mas de muitos outros. Alunos de administração, de sistemas de informação e técnicos em turismo do CTUR (Colégio Técnico da UFRRJ), poderão fazer estágio no setor administrativo do hotel. Já os alunos de contabilidade poderão atuar no departamento financeiro. Discentes de agronomia poderão cuidar dos jardins do entorno e os de educação física poderão oferecer recreação e lazer para crianças.
“É ilusão pensar que um hotel-escola será só dirigido por hoteleiros. Ele é um espaço interdisciplinar e vai funcionar como um espaço de estágio para outros cursos, o que poderá criar uma relação mais próxima entre institutos e cursos afins. E um dos ganhos mais estimados do hotel-escola é a proximidade com a comunidade, tentar dialogar com essas pessoas e capacitá-las através de cursos e projetos sociais”, explicou Danty Alves, aluno do 6º período de Hotelaria.
De qualquer forma, o hotel será gerenciado pelo curso e áreas afins com o objetivo de gerar receita que serão investidas na ampliação dos serviços, visto que a universidade dará sua contribuição, parcialmente. Ainda segundo a professora Maria Lúcia, na medida em que tais serviços serão oferecidos “Vamos ampliar construindo novas áreas para o hotel, como um centro de convenções e outras, também equipando melhor. Começaremos com serviços básicos, por conta de poucos recursos atualmente. Através da oferta desses serviços, vamos gerar nossa própria receita porque a instituição, no momento, não tem verba para investir” relatou a docente.
A obra do hotel sofreu um furto, no final do ano de 2015. Foram levadas vinte e três caixas d’água de mil litros. Além disso, arrombaram as janelas de cinco apartamentos, arrancaram vasos, chuveiros, pias e acessórios, além de terem quebrado alguns vidros de janelas. Os apartamentos arrombados são de blocos diferentes e esse furto se deu por conta da falta de segurança no prédio e pela baixa qualidade dos materiais.
Segundo relato de Maria Lúcia, a falta de um vigia, quando a obra foi finalizada, pode ter gerado facilidades para o delito. O furto foi detectado por um funcionário do ICSA que foi ao hotel a pedido do diretor. “Quando fomos visitar no início do período de 2016/1, identificamos os furtos, fizemos um relatório e entregamos a direção do instituto. Sugerimos então, a compra de grades para as janelas para aumentar a segurança inclusive dos hóspedes”, contou com pesar.
O hotel-escola não está localizado no melhor ponto do campus. O hotel que é um complexo situa-se entre o IT (Instituto de Tecnologia) e o Instituto de Geociências. O acesso a pé ao hotel é preciso fazer uma caminhada de cerca de 30 minutos do ponto de ônibus mais próximo, nas imediações do ICHS e ICSA (Instituto de Ciências Humanas e Sociais e Instituto de Ciências Sociais Aplicadas).
O motivo de ter sido construído tão distante, segundo o setor de divisão de obras da universidade, é o fato de que a maioria dos espaços próximos aos prédios da Rural são tombados e isso inclui diversos terrenos mais próximos da estrada. Dessa forma, só é possível expandir a universidade para locais mais distantes, o que significa acesso mais difícil aos alunos estagiários e aos futuros hóspedes que estiverem sem carro.
Mapa: O hotel-escola da UFRRJ fica localizado entre o Instituto de Tecnologias (I.T.) e o Departamento de Geociências. (Fonte: Google Earth)
O hotel traz muitos benefícios para a universidade, inclusive para os docentes e técnicos. Muitas pessoas não moram em Seropédica, principalmente técnicos e professores que irão se beneficiar muito com a chegada do hotel. É o que relata a docente do curso de Jornalismo Flora Daemon, moradora do bairro de Copacabana, no grande Rio. “A existência de um hotel que atenda também professores da UFRRJ garantiria a mim e outros docentes uma presença mais efetiva no campus da universidade já que parte significativa dos professores não mora na cidade de Seropédica. O hotel, sobretudo para aqueles que lecionam no turno da noite, é de extrema importância”, desabafou.
A docente ainda enumera outras vantagens. Para ela, a presença no campus em outros momentos, além dos tempos de sala de aula, seria fundamental para fortalecer o vínculo docente-discente. Flora ainda complementa: “Com o hotel ganharíamos todos: os professores em qualidade de vida ao evitar tantos deslocamentos, a Universidade que teria a presença mais efetiva de seu quadro docente e os alunos que contariam com professores ainda mais engajados na melhoria e fortalecimento da UFRRJ”.
A universidade sedia eventos acadêmicos o que faz circular um contingente grande de palestrantes e conferencistas, além de pessoas que participam de processos seletivos na universidade. O ideal seria que possuíssem um lugar para pernoite, o que acaba se tornando um empecilho na hora de aceitar o convite ou se deslocar para a região. Um hotel-escola iria resolver esse problema. Além disso, responsáveis e amigos de formandos também são esperados para se hospedar lá. Maria Lúcia explica que o curso está estudando a possibilidade de oferecer serviços como coquetéis e coffee breaks no salão do restaurante desde que haja um planejamento e agendamento com o gestor do hotel para organização de eventos em geral.