Projetos em andamento e os reflexos do bloqueio de verbas

Entenda como a redução orçamentária, denominada pelo governo “contingenciamento”, afeta a Universidade

                                                                                                                                        – Por Nathalia Mendonça e Mariana Lima

 

Muito antes do MEC anunciar, em abril, um corte significativo no orçamento de todas as universidades federais do país, o campus da UFRRJ, em Seropédica, já enfrentava severos problemas de infraestrutura. O estado de degradação dos prédios que compõem  a Universidade e a falta de segurança no cotidiano das aulas são motivo constante de preocupação para a comunidade acadêmica. A demanda, na verdade, é antiga: em 2013, por exemplo, diversos alunos ocuparam a Reitoria em busca de solução para a ocorrência de assaltos e estupros frequentes na Rural, e pela prevenção de um possível sucateamento do campus. Até hoje, há prédios em estado de abandono. A iluminação e o abastecimento de água são precários em alguns deles, e a falta de espaço físico atrapalha o andamento das aulas; muitas vezes, os professores se veem obrigados a transferir as atividades da Universidade para escolas estaduais vizinhas, em Seropédica mesmo.

 

O ICHS

 

A contenção de verbas, anunciada no fim de abril pelo Ministro da Educação Abraham Weintraub intensifica a situação crítica de alguns departamentos da Universidade. É o caso do ICHS, Instituto de Ciências Humanas e Sociais, que sofre com a  falta de espaço físico para realização adequada das aulas. Laboratórios precários e banheiros deteriorados são alguns dos principais aspectos que preocupam os alunos. O corte orçamentário afeta ainda a concessão de diversas bolsas de estudo. Isso prejudica a permanência, no campus, de estudantes que vieram de outros estados para a Universidade ou daqueles com limitada condição financeira até mesmo para custear o transporte de suas casas até a Rural.

O reitor da UFRRJ, Ricardo Berbara, afirma que “estamos sofrendo uma certa decadência do nosso patrimônio. Nossos equipamentos se tornam obsoletos e não temos  capacidade de recuperá-los. Os prédios também, não dispomos de recursos para mantê-los”.

 

           Ciências Humanas

 

Alvo de ataques e ameaças no atual governo, os cursos de Ciências Humanas são os primeiros na Rural  a sentirem o efeito do chamado “contingenciamento” de verbas. De acordo com censo realizado pelo Inep em 2017, esses são os cursos nos quais há maior diversidade racial, tanto em universidades públicas quanto privadas. O levantamento aponta que os de Sociologia e Filosofia concentram, respectivamente, um aluno negro para cada três e quatro brancos. Na UFRRJ, esses departamentos carecem de salas de aula. O pró-reitor de Planejamento, Ricardo Rodrigues, ressalta que muitos projetos em andamento na Universidade têm impacto em sala de aula, como as obras no Pavilhão de Aulas Práticas (PAP) e a expansão da fibra ótica na Rural. Não há recursos, no entanto, para investimentos diretos na área de Ciências Humanas.

Segundo Nilson Carvalho, pró-reitor adjunto da Proaf (Pró-reitoria de assuntos financeiros), medidas estão sendo tomadas para que a Universidade não seja tão prejudicada pela decisão do MEC. Ele ressalta que um remanejo no orçamento destinado a algumas despesas fará grande diferença para minimizar os impactos do corte de verbas. Ainda segundo o pró-reitor, as obras em andamento na Rural não serão interrompidas. No entanto, verbas para despesas discricionárias (de custeio – como pagamento de contas de água e energia, serviços de limpeza e bolsas acadêmicas) serão reduzidas.

 

Audiência pública sobre  obras em andamento

 

Na última segunda-feira, dia 20, aconteceu uma audiência pública a respeito dos processos das obras realizadas nos campi da UFRRJ em Seropédica e em Nova Iguaçu. No Salão Azul, funcionários e professores se reuniram para o debate e a apresentação dos projetos. Apesar do evento ter sido anunciado no portal da Universidade, o auditório estava significativamente vazio. A audiência começou  com a fala do Reitor diante do atual cenário de corte de verbas.

Nesse contexto, é compreensível pensar que a Universidade será prejudicada, mas a situação está sendo mantida sob controle da melhor maneira possível. Segundo o Reitor, a Rural possui um cenário confortável quando comparada às outras universidades.

Todas as obras foram apresentadas e explicadas pelo pró-reitor Roberto Rodrigues, entre elas as do Restaurante Universitário e o recapeamento da entrada do campus de Seropédica. Com as atenções voltadas  para os  cursos que fazem parte do ICHS e ICSA, temos os seguintes processos em andamento que envolvem estes institutos diretamente:

  • Construção de abrigo e instalação de gerador elétrico PAP e HV (Reitoria) – início das obras: 08/2018 – valor: R$118.400,25
  • Construção do prédio administrativo da direção do ICSA – início das obras: 01/2019 – valor: R$132.334,62
  • Complementação do Hotel Universitário no campus de Seropédica (PROPLADI) – início das obras: 03/2019 – valor: R$1.222.777,72
  • Laboratório de Rádio e TV para curso de Jornalismo (PAP). 

 

É importante lembrar que algumas mudanças beneficiam indiretamente o funcionamento de todos os cursos da Universidade, como por exemplo a instalação e ampliação das redes de fibra ótica e reconstrução de redes elétricas.

A diretora do ICHS e professora do Departamento de Letras e Comunicação (DLC), Maria do Rosário Roxo, pontuou a questão dos projetos ligados ao ensino e aqueles que atendem a questão das salas de aulas dos cursos das humanidades, atualmente passando por algumas dificuldades. Durante a rodada de perguntas e respostas, Roberto afirmou que muitos projetos em processo têm impacto direto nas salas de aula e infelizmente há realmente deficiência em investimentos em salas para os cursos de ciências humanas. Ele se posicionou a favor de um futuro debate, possivelmente uma outra audiência, para tratar dessas questões necessárias.

Roberto Rodrigues também comentou que todos os processos de obras possuem uma burocracia muito meticulosa e todos os envolvidos precisam seguir, realizar e registrar tudo da forma prevista para que os projetos funcionem sem problemas. Isso tudo sem contar com questões que podem surgir no meio de um edital ou contrato. Na audiência, o pró-reitor de planejamentos ressaltou que qualquer dúvida de alunos, professores e funcionários pode ser tirada nessas audiências ou com algum horário de atendimento marcado, buscando suprir a demanda de apresentação e confirmação de dados e, então,  responder os questionamentos apontados.

 

Fotos utilizadas na matéria: Yago Monteiro

 

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